Uma implantação de folha de pagamento ou HCM envolve muito mais do que instalar um software.
Cada projeto possui regras próprias, processos específicos, particularidades operacionais e expectativas que precisam ser compreendidas para que a implantação seja bem-sucedida.
Por isso, as equipes de implantação normalmente são compostas por profissionais especializados em processos de negócio, parametrizações, treinamentos e adoção da nova solução.
Entretanto, em muitos projetos, essas mesmas equipes acabam assumindo também toda a preparação dos dados provenientes do sistema legado.
Embora essas atividades façam parte do mesmo projeto, elas exigem competências bastante diferentes.
A preparação dos dados é uma especialidade técnica
Antes que qualquer informação possa ser importada para o novo sistema, normalmente é necessário executar diversas atividades técnicas, como:
- compreender a estrutura do sistema legado;
- analisar o banco de dados de origem;
- identificar tabelas e relacionamentos;
- mapear campos entre origem e destino;
- desenvolver consultas de extração;
- tratar inconsistências;
- consolidar informações;
- transformar dados para o layout exigido pelo novo sistema;
- validar arquivos de importação.
Dependendo do sistema de origem, também pode ser necessário desenvolver conectores, interpretar arquivos proprietários, utilizar APIs ou construir rotinas específicas de ETL.
Cada novo cliente representa um novo desafio técnico.
O tempo dedicado à migração deixa de ser investido na implantação
Enquanto parte da equipe está analisando bancos de dados, escrevendo consultas SQL, preparando planilhas ou desenvolvendo importadores, ela deixa de atuar em atividades que normalmente representam o maior valor para o cliente.
Como, por exemplo:
- compreender os processos da empresa;
- identificar particularidades operacionais;
- apoiar decisões sobre parametrizações;
- especificar personalizações e customizações;
- configurar o sistema;
- capacitar usuários;
- realizar treinamentos;
- elaborar documentação de processos;
- acompanhar homologações;
- apoiar a entrada em produção.
São essas atividades que normalmente diferenciam uma boa implantação.
Quando os mesmos profissionais precisam dividir seu tempo entre implantação e engenharia de migração, o projeto passa a disputar recursos especializados.
Cada sistema legado exige um aprendizado diferente
Outro desafio é que dificilmente dois projetos possuem a mesma origem.
Hoje um cliente pode utilizar um ERP nacional.
Na semana seguinte, outro cliente pode utilizar um sistema desenvolvido internamente.
Depois pode surgir um projeto envolvendo arquivos do eSocial, planilhas ou outro software de folha.
Isso significa que a equipe de implantação precisa aprender continuamente novas estruturas de bancos de dados, novos layouts e novas formas de extração de informações, mesmo que esse conhecimento seja utilizado apenas naquele projeto específico.
Implantação e migração possuem objetivos diferentes
Embora façam parte do mesmo projeto, implantação e migração têm naturezas distintas.
A implantação busca garantir que o novo sistema esteja corretamente parametrizado, aderente aos processos da empresa e preparado para utilização.
Já a migração de dados concentra-se na engenharia necessária para localizar, extrair, transformar, validar e preparar as informações provenientes do ambiente anterior.
São atividades complementares, mas que exigem conhecimentos técnicos diferentes.
Uma nova forma de organizar os projetos
Cada vez mais organizações estão adotando uma divisão clara de responsabilidades.
A equipe de implantação permanece concentrada naquilo que representa seu maior diferencial: conhecimento do produto, entendimento do negócio, parametrizações, treinamentos e acompanhamento da implantação.
Enquanto isso, uma Camada de Migração de Dados especializada assume a preparação técnica das informações vindas dos sistemas legados.
Essa divisão permite que cada equipe trabalhe dentro da sua especialidade, reduzindo a necessidade de alternar constantemente entre atividades funcionais e atividades de engenharia de dados.
Conclusão
Projetos de implantação exigem conhecimento técnico, experiência funcional e uma gestão cuidadosa do tempo das equipes.
Quanto mais especialistas conseguem permanecer focados naquilo que fazem melhor, maior tende a ser a eficiência do projeto.
A preparação dos dados continua sendo uma etapa essencial da implantação, mas isso não significa que ela precise ser executada pela mesma equipe responsável por parametrizar o sistema, entender o negócio do cliente e conduzir a transformação operacional.
Nesse contexto, a Camada de Migração de Dados surge como uma especialização complementar, permitindo que consultorias, software houses, canais e BPOs mantenham suas equipes focadas na entrega de valor ao cliente, enquanto a engenharia de migração é conduzida por profissionais dedicados a essa etapa do projeto.